Fallout III

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ANÚNCIO Fallout III

Mensagem por Dan Ocelott em 31/12/2008, 12:00

A primeira versão do RPG pós-apocalíptico "Fallout" foi lançada em 1997, distribuída pela Interplay, com um enredo ambientado no século 22, mas fortemente inspirado na paranóia nuclear dos anos 50 que passou a inspirar histórias após a Segunda Guerra Mundial. A série recebeu uma continuação no ano seguinte, além de alguns "spin-offs" (versões com trama e abordagem paralelas) ao longo do tempo e, agora nas mãos da Bethesda, tem finalmente a aguardada terceira edição.

"Fallout 3" utiliza uma versão atualizada da tecnologia gráfica de "Oblivion", com especial retrabalho na visão em terceira pessoa, que foi bastante criticada em "Elder Scrolls". O jogo começa com o nascimento do jogador e a morte de sua mãe em um hospital, momento em que entra em cena a customização do personagem.

O protagonista cresce em uma caverna e ganha o seu primeiro livro, intitulado "You're Special" ("Você é Especial"), que permite distribuir pontos por sete aptidões básicas. Neste momento, o jogador ganha as suas primeiras armas e um computador de pulso e, como o passar do tempo, testes determinam o layout inicial das habilidades e feições. Cada aspecto da criação do personagem é baseado no sistema S.P.E.C.I.A.L.: de 14 habilidades, é possível escolher três para evoluir mais rapidamente que as demais.

As batalhas acontecem em tempo real, como em um jogo de tiro, ou através do sistema V.A.T.S., que possibilita pausar o jogo, escolher o alvo, e continuam baseadas em pontos de ação. Violência e sangue não faltam, com direito a cabeças explodindo com riqueza de detalhes, para o terror daqueles com estômago fraco.

Há várias formas de jogar, seja matando a todos ou então tentando passar despercebido, e o sistema de danos afeta várias parte do corpo. Estréia em "Fallout 3" um recurso que mede o nível de radiação de certas coisas - a água, por exemplo - e como ela os afeta. O jogador pode contratar NPCs para certas missões, mas o estilo do game não é baseado em grupos

A série "Fallout" pode ter sido esquecida por muitos, mas ainda vive na memória de uma fiel comunidade de jogadores de PC, que reconhece tais jogos como alguns dos mais brilhantes da década passada. "Fallout 2", em especial, pode ser considerado uma obra-prima de design; antes da massificação dos RPGs online persistentes, o game foi aquele que definitivamente deu livre arbítrio ao jogador. Ali, de uma maneira palpável e magnética, era possível sentir que cada decisão influenciava todos os aspectos de sua grande aventura pós-apocalíptica - ainda que tivesse que pagar o preço por conta disso, seja na forma de reputação diante dos personagens daquele mundo ou na forma de modificadores ou bônus na ação.

Dez anos depois, depois da dissolução do lendário estúdio Black Isle e da falência da Interplay, os criadores originais da franquia, chega às lojas "Fallout 3". A Bethesda, conhecida basicamente pela série "The Elder Scrolls", licenciou a marca e reaproveitou o motor gráfico de seu último sucesso, "Oblivion", para ressuscitar a série. E o resultado é extremamente compensador e envolvente, ainda que não pareça uma continuação verdadeira do clássico, mas uma grande e moderna homenagem.

Washington devastada

"Fallout 3" ocorre em 2277, trinta anos depois do jogo anterior, e começa de uma maneira bastante original. O processo de criação de seu personagem é mostrado aos poucos, desde o nascimento até a adolescência, mostrando detalhes da vida dentro dos Vaults, abrigos nucleares que salvaram a humanidade dos bombardeios nucleares, ao lado de seu pai viúvo e alguns amigos.

Seu Vault, o 101, é localizado nas proximidades do que já foi a capital Washington. Pouco depois de você ser considerado um adulto, ou ao menos capaz de assumir responsabilidades ao receber um Pip-Boy - um rudimentar computador pessoal que serve desde navegador a organizador de inventário - descobre que seu pai fugiu dali, algo então impensável diante da natureza hermética do lugar. Isto se torna um ótimo motivo para escapar do refúgio e explorar o mundo exterior.


Mundo devastado

E assim, mais ou menos como em "Oblivion", você é despejado em um grande mundo aberto depois de passar por uma pequena iniciação. É algo que intimida, dá para ficar meio perdido e andar sem rumo por algumas horas encontrando mutantes deformados ou gangues de saqueadores em meio a ruínas e paisagens desérticas. Mas depois que você pega o jeito, as coisas passam a fluir de uma ótima maneira, permitindo que você alterne as missões principais e paralelas sempre que quiser.

Liberdade acima de tudo

Assim como os anteriores, "Fallout 3" prega pela liberdade. Depois de sair da Vault, seu objetivo principal, por exemplo, é do procurar pistas sobre seu pai na cidade de Megaton, que fica nas proximidades. Por engano, eu acabei indo para a direção errada e explorei outros pontos do mapa e, quando acabei chegando à cidade para falar com alguns personagens, descobri que já havia conseguido itens e feitos que eles iriam pedir em missões paralelas.

Uma mulher voltou a me pedir outro favor, mas como ia me dar muito trabalho, eu simplesmente utilizei uma opção de mentir em uma das várias árvores de diálogo e ela acreditou, o que me garantiu a finalização do objetivo. Mas, como tudo traz conseqüências, meu medidor de karma, que julga seu moral e sua imagem perante os outros, acabou perdendo alguns pontinhos. Pode parecer bobagem, mas tal índice é fundamental para interagir com seu mundo; as pessoas olham para você com outros olhos, outros podem atacá-lo sem o menor aviso, alguns ajudantes podem se recusar a seguir viagem com você e, o final terá pequenas alterações de acordo com tal marcador.

Falando sobre conseqüências, ali mesmo você tem lidar com algumas bem sérias. Megaton recebe este nome por ter sido construída em torno de uma bomba nuclear que nunca foi detonada e permanece em estado dormente. Então há um determinado momento em que certas figuras o instigam a tomar uma posição radical; um que deseja que você a exploda e varra a cidade do mapa e outra pede sua ajuda para desarmá-la definitivamente. Não vou estragar a surpresa, mas é possível dizer que há muitos benefícios e problemas desencadeados por ambas as resoluções.

O engraçado é que justamente nesta liberdade, nesta vontade de deixar o jogo aberto para que você realize as coisas do seu jeito, "Fallout 3" acabe ficando mais distante da franquia original e mais próxima de "Oblivion". Lógico, há o aspecto de gráficos e áudio, mas é uma evolução lógica e esperada, mesmo se a Black Isle fosse responsável pelo game, ele provavelmente não teria a cara de dez anos atrás.


A guerra nunca muda

O que incomoda é que, como admirador dos títulos antigos, a evolução no enredo deste novo jogo se mostrou um pouco fria, séria demais. Quanto mais perto você chega do final, é realçado um clima épico, de grande aventura, que vai de encontro ao clima de melancolia e desprezo que havia anteriormente. É claro que a equipe da Bethesda é competente, mas não conseguiu captar a inteligência dos velhos roteiros, com críticas políticas e sociais misturadas a uma forte dose de humor negro, que disparava alguns diálogos geniais, ora sarcásticos ou por vezes simplesmente debochados. Mas é fundamental admitir que é um pouco preciosismo que não deve incomodar em nada aqueles que não nutrem nenhuma afeição maior pela franquia.

Combate remodelado

O combate em "Fallout 3" utiliza a base de "Oblivion", mas foi remodelado para não parecer tão esquisito e parecer com antigo sistema de ataque por turnos. Assim, além de escolher entre uma visão em primeira ou terceira pessoa, você utiliza um sistema híbrido de ataque, o VATS (Vault-Tec Assisted Targeting System). Tudo funciona como um game de tiro tradicional, mas ao toque de um botão, é possível pausar a ação para escolher que ponto do inimigo você planeja atingir. Para pontos menores e que causam mais dano, você precisa gastar mais pontos de ação, que se recarregam com o tempo. Ao acabar com o medidor daquele determinado ponto, o oponente fica incapacitado, perdendo a mobilidade, por exemplo.

Há vários fatores que afetam sua mira. Há uma série de habilidades (Skills) e especializações (Perks) que você distribui pontos à medida em que sobe de nível, além do tipo de arma e as condições das mesmas. Você pode carregar uma quantidade limitada de objetos, dependendo da força de seu personagem, e utilizar peças extras para consertá-las, melhorando sua perfomance em combate. Há ainda outros modificadores temporários na forma de itens consumíveis, armaduras, capacetes e muitas outras surpresas.

Visual de destruição


Saiba como será a vida no futuro

"Fallout 3" é um jogo moderno e bonito, com modelos bem construídos. Todos parecem ser minimamente realísticos, o que é fundamental para a imersão. Há também um clima de solidão sufocante proporcionado pelos riquíssimos cenários, que vão desde paisagens áridas a cidades em escombros. Obviamente não se pode esperar de um mundo em ruínas algo muito colorido ou vívido, então por vezes seus olhos ficam cansados de ver sempre as mesmas cores, mas não parecia haver muita saída diante deste contexto. Ah, e algumas animações em câmera lenta, principalmente ao enfrentar alguns monstros e bichos nojentos são realmente impressionantes, principalmente quando mandamos a cabeça de um deles pelos ares com direto a spray de sangue.

O áudio acaba impressionando mais. Todo mundo sempre tem algo a dizer, com vozes, sotaques e gírias diferentes, contribuindo ainda mais para a composição daquele mundo. E a trilha sonora é pontual, surgindo apenas em momento de tensão, ou interrompendo suas andanças na forma de rádios que sempre têm nuances interessantes em relação à trama e ao histórico do jogo.

Há alguns problemas técnicos sim, mas são muito pequenos em relação à proporção do jogo. É de se esperar que alguns deles estejam presentes, como algumas animações travadas - principalmente da forma como seu personagem se movimenta na câmera em terceira pessoa - ou alguns diálogos que se perdem de vez em quando. A taxa de quadros também é um pouco irregular, com algumas pequenas travadinhas ocasionais nos consoles, mas novamente, nada que tire o brilho do game.

Para os antigos fãs da franquia, "Fallout 3" pode não parecer uma verdadeira continuação, mas tampouco se trata de um "Oblivion" no futuro - pense em um sincero tributo por parte da equipe da Bethesda, ainda que sóbrio demais. Já aqueles que não são familiarizados com a série, irão descobrir um RPG riquíssimo em opções, com um sistema de combate viciante e um mundo aberto repleto de segredos e mistérios. É uma das experiências mais profundas e gratificantes encontradas este ano em um videogame, na forma de um trabalho primoroso de revitalização de uma marca tão importante da história do entretenimento eletrônico até então relegada ao limbo.

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