Dead Space

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ANÚNCIO Dead Space

Mensagem por Dan Ocelott em 31/12/2008, 11:58

A Electronic Arts é a maior "publisher" de games do mundo, mas, mesmo com todo esse porte, ainda possui alguns nichos muito pouco explorados. "Dead Space" combina tiro em primeira pessoa, quebra-cabeças e temática sobre horror. Mas, como o nome diz, aqui, a ameaça vem do espaço.

O protagonista é Isaac Clarke, um engenheiro espacial freelancer, que, quando consertava uma nave, recebe um chamado de socorro de outra embarcação. Lá, defronta com alienígenas parasitas identificados de Necromorphs, que fazem os humanos de hospedeiros.

O argumento pode soar familiar, mas é pretexto para o show de sangue que pretende ser "Dead Space". O elemento-chave dos combates são os desmembramentos. Para evitar que um alien o persiga, Clarke pode cortar as pernas de seu opositor, por exemplo.

Haverá também cenas em que o jogador se locomove em partes externas à nave. Nessa situação, qualquer movimento mal-calculado pode condenar seu personagem a vagar pelo infinito sideral.

Depois que "Resident Evil" consolidou o termo "survival horror" para descrever aventuras exploratórias repletas de sustos e criaturas horrendas, poucas foram as franquias que conseguiram se estabelecer no mercado, principalmente aquelas criadas fora do Japão. Talvez por isto o segmento tenha perdido o fôlego nos últimos anos, e até mesmo a série da Capcom parece estar rumando para o caminho da ação e deixando o terror um pouco de lado pelo que foi mostrado até agora de " Resident Evil 5".

Mas aqueles jogadores que gostam de tomar sustos, ainda podem ficar aliviados. A Electronic Arts resolveu explorar o nicho, algo que nunca tentou para valer até então, e conseguiu entregar um genuíno exemplar de " Survival Horror". "Dead Space" tem sangue, monstros, enigmas e muito suspense, em uma tentativa clara de agradar aos fãs órfãos do gênero, ainda que para isto tenha se segurado em todos os clichês que pôde encontrar, com poucas inovações.

A trama de "Dead Space", que aliás foi complementada por histórias em quadrinhos e outros produtos relacionados, se passa em futuro distante, quando a Terra exauriu seus recursos naturais e a humanidade se viu forçada a explorar outros planetas em busca de minerais. A maior nave de mineração disponível é a USG Ishimura, que consegue destruir planetas inteiros durante seu processo de prospecção. Mas algum problema acontece à bordo e as comunicações com o resto da frota são cortados, acionando uma equipe de reparos que logo parte ao encontro da nave.

O jogador toma o papel do engenheiro Isaac Clarke (em uma referência nada sutil aos escritores Isaac Asimov e Arthur C. Clarke), integrante da nave de reparos Kellion, designada para restabelecer a funcionalidade da Ishimura. Mas para Clarke a missão também tem cunho pessoal, uma vez que sua amada, Nicole Brennan, faz parte da tripulação da mineradora.

Claro que, ao chegar ao seu destino, Clarke descobre que o problema não é de simples solução. Aparentemente toda a tripulação foi dizimada, talvez por algum tipo de infecção desconhecida, e parte em busca de maiores detalhes enquanto enfrenta algumas criaturas nojentas e deformadas. Como bom mocinho, ele ainda acredita que Nicole está viva em algum ponto da nave e acrescenta isto à sua lista de mistérios a desvendar, assim como um meio de escapar dali inteiro.

Embora não seja uma das histórias mais originais do mercado, pescando referências de obras consagradas como "Alien - O 8º Passageiro" e outras bem questionáveis, como " O Enigma do Horizonte", o roteiro é bem amarrado e consegue prender a atenção. Claro que dá para prever muitas coisas que irão acontecer, mas como o jogo é daqueles que cria situações para colocar monstros pulando no seu rosto (ou nas suas costas) nos momentos mais inoportunos, há um clima de tensão bem resistente.

O único ponto realmente fraco no design da narrativa fica na figura de Isaac, que não tem personalidade alguma. Caladão e coberto por uma armadura, ele recebe ordens de todo mundo sem ao menos resmungar. E quando o jogo tenta lhe dar algum tipo de profundidade, apresentando trechos de sua história pessoa ao jogador, acaba parecendo forçado, como se tivesse chegado tarde demais.

Território familiar


Criaturas horríveis no espaço

Se você já jogou "Resident Evil 4" ou algum similar, já sabe mais ou menos como funciona "Dead Space", com a câmera sobre o ombro de Isaac. A grande diferença aqui é que ele se posiciona mais para o lado esquerdo da tela. É estranho no começo, mas é fácil de compreender tal necessidade de movê-lo para o canto; como seu modelo é imenso e extremamente detalhado, poderia atrapalhar o campo de visão, principalmente naquelas tais momentos inoportunos em que vários monstros querem devorá-lo.

O que diferencia mesmo Isaac de outros heróis do gênero é a sua armadura, que oferece blindagem, oxigênio e alguns poderes bacanas, como o de congelar inimigos e objetos ou movê-los à distância, ao melhor estilo " X-Men". O herói também pode fazer melhorias em sua roupa e também nas várias armas que vai colecionando pelo caminho, como um rifle de energia e um empolgante lança-chamas.

Esta ênfase nas habilidades e poder de fogo do protagonista não vem de graça. Ainda que funcione como um "Survival Horror" clássico, criando um vai e vem sem fim para encontrar uma peça X que se encaixe no lugar Y, o foco mesmo é na violência. Todos explicam a Isaac que os inimigos morrem mais rápido se esquartejados, então pode ter certeza que boa parte do tempo investido em " Dead Space" será gasto picotando monstros horrendos - algo que foi muito explorado na campanha de marketing do game. Causa boa impressão no começo, mas é algo subaproveitado; depois do centésimo bicho morto, você só se preocupa mesmo em despachá-los logo para seguir adiante e o impacto se perde totalmente.

Como a Electronic Arts está em busca de novas franquias, ela parece ter investido pesado na produção de " Dead Space". Mesmo que não tenha um estilo visual marcante, único, o design da Ishimura é bem interessante e recriado com muito capricho, com cantos escuros e saídas de ar posicionadas estrategicamente para esconder monstros. Os modelos também são extremamente detalhados e, assim como dito anteriormente, é impressionante o tamanho de Isaac na tela, além da animação natural e fluida.

O som é outro fator importante na produção. Com um bom equipamento de Home Theater, é possível se envolver ainda mais na aventura, ouvindo passinhos a todos os cantos ou então gritos desesperados à distância. A música não é tão presente, mas causa impacto nos momentos certos, principalmente na abertura, com uma sinistra versão da canção de ninar "Twinkle, Twinkle, Little Star".

O único aspecto técnico que parece quebrar a imersão às vezes é o sistema de física. Ele é bem usado em algumas situações, como as que são necessárias ações em gravidade zero, mas em outras, criaturas e outros objetos parecem ser leves demais, como feitos de isopor. Com isto também sofre o celebrado sistema de desmembramento das criaturas, que às vezes perdem algum braço que acaba flutuando por alguma parte do cenário. Mas é algo menor diante de uma apresentação luxuosa.

"Dead Space" um jogo feito com grande capricho, mostrando que a Electronic Arts investiu pesado na criação de uma nova franquia. Embora não seja lá muito original ou profundo, deixando alguns elementos fundamentais previsíveis ou banalizados, o game consegue manter um clima de tensão constante, o que parece ter sido seu grande objetivo. Assim, deve ser o suficiente para os fãs do gênero, pelo menos até que o próximo " Resident Evil" dê as caras.

Fonte: UOLGames.com

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